PEÃO CAMPEIRO
Cheguei da lida de campo,
Fui direto pro galpão,
Desencilhei meu cavalo,
Sai de rédeas na mão.
Segui de pés descalços,
De bombacha remangada,
Conduzindo meu ventena,
Em direção à aguada.
Meus cavalos de serviços,
Eu trago bem cuidados,
Tem o descanso merecido,
Depois de ter trabalhado.
No final da tarde longa,
O calor se fez sentir,
Uma garça no açude,
Sem ter ânsias de partir.
A noite estende seu manto,
Sobre o reino de flexilhas,
As luzes dos pirilampos,
Enfeitam lindas coxilhas.
No aconchego do galpão,
Reacendo o fogo de chão,
Já com a cambona nas brasas,
Vou cevando o chimarrão.
Aqueço uma tira de charque,
Para comer com pirão,
Enquanto o catre me aguarda,
Para o descanso do peão.
Pois outro dia o espera,
Pra rotina de meus passos,
Encilhar, parar rodeio,
E laçar de todo o braço.
-Ramão Aguilar-
27/09/2009 |